Misericórdia

Por terceira vez me deu pena
Ver a desesperada cena:
Minha cintura toda erguida
Sobre a baliza ensandecida.

Decidi encerrar a tortura
E receber dele a fartura
Que eu conhecia acumulada
Em hora e meia de montada.

Baixando sobre o meu varão
Contei primeira pulsação
E o reconfortante grunhido
Que emite o macho bem servido.

Segundo jato logo veio;
Forte e morno, acertou em cheio
Meu canal de fertilidade,
Fonte de divina piedade.

Pequeno gesto em meus quadris
Manteve aberto o chafariz:
Terceiro e quarto golpes sinto
Em meu feminino recinto.

Pelos lábios agora escorre
Enquanto o êxtase transcorre
Nossa misturada umidade
Que é prova do amor que me invade.

Veio o quinto sem prevenção
E o sexto com tanta emoção
Que ao descender uma vez mais
Me escapam arquejos e ais.

O sétimo jorro transborda
Completamente pela borda.
Como ele explica esta loucura?
Por minha grande formosura.

Conto em seguida oito e nove,
Recompensa que me comove,
Me preenche e me faz feliz;
Por ele eu sou imperatriz.

Depois de arrastados segundos
À espera dos pulsos fecundos,
Um gemido e a haste profunda
Pela última vez me inunda.

“Deus!” ele exclama num suspiro.
Enfim da sela eu me retiro
E faço minha a sua ambição
Que é vir do alto a compaixão.

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