Miss Fantasia

Segues passando a língua, o lábio
Habilidosamente feito pena
Então mostra a mim como é sábio,
Libidinosamente, o teu poema

Ávida não distingues falo e fado
Um beija-flor bebericando doce mel
Transformas o céu da boca no meu céu
Estreito altar onde me quedo ajoelhado

Subiste, desceste, marcaste em toda parte
Buscando atrevida o teu desejo
Previste a explosão pelo gotejo
Da tinta com que pintas tua arte

Inerte fico aqui extasiado
Enquanto te lambuzas com o pecado
Com o jeito de quem bebe uma bebida

Olhei teu corpo e pensei, esvaziado:
Tragaste na tua boca o melado
Que posto noutra parte gera vida

— Ely Cabral

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