Insatisfeita

Os bicos eriçaram-se. Roberto usou o corpo para cobrir o dela. Fazia um ano e meio que tinha sentido o primo satisfazer-se dentro dela. Geralmente era falante e audaciosa, mas agora estava nervosa e reduzida ao fascínio que ele exercia sobre ela: sexual, emocional, físico.

Beijaram-se por um instante. Roberto abriu as pernas da moça e olhou de relance para o botão antes de lambê-lo. Ela não costumava gostar de ser comida. Com Roberto era diferente. Tudo era diferente com Roberto. Ele não tinha língua quente e úmida. Não a deixava pegajosa. Era dura e seca aquela coisa com que ele devorava-lhe a flor. Era forte. Tudo nele era forte.

Ela nem mesmo se lembrava da última vez em que deixou alguém fazer isso. Não fazia nem quatro meses que Helena tinha dado à luz, e nem o marido a tinha visto sem roupa ainda. Tinha que parar de calcular. “Aproveitar cada segundo, se soltar,” disse para si mesma.

Ele trouxe a boca para cima, encontrou um dos bicos e Helena fechou os olhos. Ele estava ajoelhado entre suas coxas e ela ergueu a cintura para encontrá-lo. Não ia ser um amor suave, com a tensão acumulada de dois anos. Ele a penetrou até o fim, de uma vez. Helena encheu os pulmões e recebeu tudo. Delícia e dor, ora um telefonema, ora um e-mail, um convite para o casamento; o que viesse dele ela aceitava, alegria ou agonia.

Ela não chegou a sair do próprio corpo mas, por um instante foi se esconder nalguma intimidade profunda, mais profunda do que aquela em que Roberto enterrava sua masculinidade perfeita. Helena repassava cada momento, cada momento de êxtase passageiro gasto em tocá-lo, saboreá-lo, suas mãos, aquele corpo que a possuía. O universo, ela dizia, tinha projetado o físico do primo especificamente para ela, que era rasa e não podia receber nada muito longo, mas eles sempre brincavam que a grossura compensava. Já fazia 14 anos que Helena era apaixonada por ele. Metade da vida. Nenhum dos dois imaginava chegar na oitava série e ficar doido um pelo outro, descobrir mais tarde que eram primos, crescer, e continuar fazendo amor em meio aos dois casamentos dela e um dele.

Nunca tentaram viver juntos, nunca cultivaram a esperança de sair da ilha da fantasia; eles sabiam que isso arruinaria vidas, famílias, status social. Teriam de ser um segredo, e cada vez que Helena surgia com a utopia ingênua de “deixar o amor vencer”, Roberto reprimia calmamente a rebelião social. O amor por ela era sincero, mas ele também amava a família, os amigos, o estilo de vida. Não fazia muita diferença mesmo, ele sabia que ela sempre estaria ali.

Suas pernas se abriram mais, as mãos apoiadas no peito do primo que lhe dava todo o seu amor. Observando aquele rosto, ela se descontraiu pela primeira vez em muitos meses. Respirou fundo. Cada golpe naquele ritmo rápido era espremido com os músculos delicados da moça. Vendo-o bombear, vendo-o crescer, ela sabia que, por mais poder que ele tivesse sobre ela, de fato era ela que tanto mais mandava quanto mais úmida ficava.

Mais umidade, mais velocidade. Ela sabia que ele estava perto. Queria que ele explodisse dentro dela. Queria sentir o calor de Roberto em suas paredes internas. Sentir o gozo extravasar pelos grandes lábios. Helena queria o que a esposa dele tinha, queria tudo dele. Nos dias em que a insanidade do amor prevalecia, ela queria que o mundo soubesse que ele era dela, e não de Carla, dela… Helena percebeu a mudança na respiração dele… ele saiu e satisfez-se na barriga dela.

Ele limpou a barriga com uma toalha e deitou-se ao lado dela na cama. Helena rolou na direção dele. Abraçaram-se.

“Você é tão doce e macia,” disse ele.

“Você é tão grande,” respondeu ela. Sua mão desceu até suas partes sensíveis e convenceu sua virilidade a reagir.

Roberto rolou-a de bruços e beijou a tatuagem de cruz céltica que ela tinha gravada na coluna e penetrou-a por trás. Agora as mãos dela empurravam a cabeceira, e os pensamentos divagavam: o rosto do marido por uma fração de segundo, a aliança de casamento no dedo, depois a aliança da esposa de Roberto. Sua mente então se fixou na mulher do primo.

“Como será que Roberto faz amor com ela? Será que ela engole? Tinham que usar lubrificante? Será que ela conseguia levá-lo ao clímax duas vezes em seguida? Ela o faz rir? Quem é mais divertida, eu ou ela? Na cama quem é melhor, eu ou ela?” As perguntas sumiram quando ela precisou segurar mais firme para suportar os impulsos. Helena sabia que ficariam causando sensações por dias.

Não que ela odiasse a esposa do primo; ao contrário, em circunstâncias diferentes poderiam até ser amigas… Não que não fosse amistoso o relacionamento, já que Helena tinha por hábito “ter as amigas por perto e as inimigas mais perto ainda,” quando se tratava de mulheres na vida de Roberto. Era só que ela achava que Carla não era um desafio para ele. Em sua opinião, ninguém exceto ela mesma o estimulava intelectualmente. Ninguém lhe atirava idéias novas, empolgantes, argumentando, discutindo, racionalizando…

Mais uma vez ela respirou fundo; esse foi forte! Ouviu a respiração dele mudar de novo, segurou firme com uma mão e se acariciou com a outra. De novo ele saiu, desta vez satisfazendo-se em suas nádegas.

Ela queria gritar com ele, berrar, estapeá-lo, chorar, implorar que ele não a deixasse, implorar que ele achasse um jeito de vê-la de novo enquanto estivesse na cidade. Engoliu tudo e vestiu o sutiã. Suspirou e reaplicou o batom. Olhou no espelho e mentiu para si mesma. Partiram pro almoço e risadas em um lugar qualquer.

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