Independente

Preguiçosos dedos
Sobre a nua tez
Toques semi quedos
De novo e outra vez

Por melenas idos
E esbelta cerviz
Sobr’ombros despidos
Um seio feliz

Alça a deslizar
Na respiração
Se um botão ficar
É por distração

Bicos retesados
Firmeza ansiosa
Por ela tomados
Em fúria gozosa

Torcendo, puxando
Teimosa naquilo
Miando, pinçando,
Na boca um sibilo

Deslizando a mão
Para além do umbigo
Sente a depressão
Sorve o doce figo

Dedos circulando
Pérola sensível
O aperto virando
Um giro indizível

Encharca, desliza
Desejando mais
Um dedo pesquisa
Vias essenciais

Em curvas de fogo
Paredes de seda
Não segura o jogo
Mas vai toda leda

Um e dois e três
Sumindo ali dentro
Prazer já tem vez
Naquele epicentro

Se estica, se dobra
Procurando a crista
Emoções de sobra
A falésia à vista

Arqueia, tonteia
Num grito partido
Totalmente alheia
Sonha com Cupido

Ao fim da ruptura
Lábios em tremor
O prazer que cura
Enrustido ardor

Amolece os membros
Firma o coração
Arrepia os ombros
Intoxicação

A face orvalhada
Brilho de suor
Semana encerrada
Tem coisa melhor?

Sentada, silente
Na fria soleira
Sempre independente
Sempre à sua maneira

Um sorriso opaco
A se iluminar
Um trato com Baco
E recomeçar

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