Festa na Empresa

Ela esfregou a testa e se queixou: “Mas você tem que ir, é a sua festa na empresa!”

“Querida, se eu conseguir fechar rápido este contrato, estarei lá”, respondeu ele. “Mas só se você me deixar sair. É uma conta de cinco milhões de reais, não posso deixar nenhuma ponta solta.”

“Tiago, eles vão entender! Só…” ela começou. “Será que dá pra parar?” disse ele, visivelmente irritado. “Se alguma coisa sair errada, eles não vão entender. E daí você pode esquecer seu carro novo, sua casa grandona, tudo.”

“São apenas coisas… Não preciso delas! Preciso de você!”, respondeu ela.

“Olhe em volta, Lia,” continuou ele, “seu estúdio, essas obras de arte caríssimas penduradas nas paredes, tudo o que você queria. Aceita mesmo desistir de tudo isso?”

Antes que ela pudesse responder, ele sacudiu os ombros para vestir o paletó e conferiu o relógio. Deu-lhe um beijinho distraído no rosto. “Eu prometo tentar chegar na festa a tempo de compensar você,” encerrou ele, e saiu pela porta.

Lia afundou na cama. Era uma casa adorável, com certeza. Mas ele estava errado ao dizer que ela tinha tudo o que queria. Ela queria ele! E ele estava inacessível! Ultimamente lhe vinha sempre a nostalgia do apartamento de um quarto em que moravam antes, apertado e manchado de umidade. Eles eram jovens, apaixonados. Era o paraíso. Faziam amor toda noite então, antes que ele ficasse ocupado demais. Ela saltava da cama depois, nua, e desenhava nos espelhos enquanto ele ficava observando.

Tocou o telefone. “Estão prontos?”, disparou a voz do outro lado. Era Alessandra, mulher do sócio do Tiago. Era uma loira insolente, com quem Lia tinha começado uma inexplicável amizade. “Enrique ainda está xingando a faixa na cintura,” prosseguiu Alessandra. “Ele falou que sempre lembra do próprio baile de formatura em eventos formais.” Lia tentou ser engraçada: “Se ele lhe der o cravo, sorria e agradeça.”

“Gracinha,” respondeu Alessandra. “Pegamos vocês às oito, pode ser?”

“Tiago não vai. Acho que vou cancelar”, disse Lia.

“Quê?!”

“Ele está trabalhando.”

“A festa é dele,” exasperou-se Alessandra.

“Eu sei, mas que é que eu posso fazer?”

Lia ouviu Alessandra gritar para o marido: “Por que o Tiago foi para o escritório? Vai perder a festa!” A resposta abafada de Enrique soou para Lia como um ‘desgraçado sortudo’. Alessandra voltou ao telefone: “Bom, você vai como solteira.”

“Ah! Não sei, Lê,” respondeu Lia. “Acho que vou deixar quieto. Eu ligo no sábado para tomarmos café.”

“Já disse. Você vai e pronto. Não quero discussão.” A voz de Alessandra era persuasiva. “Você está com o vestido, não está?”

Lia abaixou os olhos. Estava mesmo com o vestido. Um vestido bem sensual, bem provocativo e bem vermelho. Era lindo. Se ela desistisse da festa, cairia no sofá para tomar sorvete e assistir ao Paciente Inglês. E o vestido voltaria para o armário.

Duas horas depois ela estava em pé ao lado da poncheira, completamente só com o vestido vermelho e sensual. Alessandra e Enrique dançavam. Alessandra flagrou o olhar de Lia e acenou entusiasmada. Lia acenou de volta. Quando eles se viraram, ela franziu a testa, desejando que a noite acabasse de uma vez.

De repente uma mão enorme segurou seu cotovelo. “Não me diga,” sussurrou Tiago em seu pescoço, “algum idiota lhe deu o bolo.”

“Não é a primeira vez…” Antes de acabar de pronunciar as palavras, ela se encolheu. “Desculpe, eu não…”

“Shh!”, fez ele ainda com a mão no cotovelo. Ela percebeu que de repente ele a estava guiando pela sala até o terraço e o gramado que se estendia mais além. “Aonde vamos?” perguntou ela. “Prometi compensá-la ao chegar aqui,” respondeu ele.

O ar ali fora estava frio. Balizadores iluminavam o caminho, mas ela não via direito mesmo assim. Tropeçou. Tiago sustentou-a com força. “Cuidado, linda, não vamos rasgar o vestido.” Ele se inclinou e mordeu-lhe a nuca, sussurrando: “Ao menos não ainda.”

Adiante ela avistou o gazebo, silencioso e fechado. Tiago deu um passo à frente e chutou a porta. Abriu fácil, e ele puxou-a para dentro. Seus olhos ainda não tinham se acostumado à escuridão. “Tiago?” Ele rasgou o vestido e o arrancou do corpo dela.

Ela ficou ali parada, de salto alto e calcinha. A respiração dele esquentava seu ouvido. “Sem sutiã?” brincou ele. “Que bom.”

“Meu Deus, Tiago! O vestido!” A voz falhou quando as mãos dele chegaram aos seios. Era intransigente e potente. Ela arquejou com o toque. Ele forçou-a para o chão. Havia cobertores espalhados debaixo deles. Ela olhou em volta, imaginando que o gazebo era mais ou menos do tamanho daquele pequeno e antigo apartamento.

Ele abriu-lhe as pernas com os cotovelos, ajoelhando-se entre elas. Correu o dedo pela seda úmida que a cobria. “Quero prová-la,” provocou ele. Ela estava sem fôlego. Não conseguia articular palavra.

Ele tirou o que restava da roupa. Por um instante ela esperou deitada, totalmente vulnerável, excitada pelo ar frio. Daí ele se inclinou e abriu-lhe os lábios com a língua. Ela arqueou violentamente. Ele escorou suas coxas com as mãos, mantendo-a firme. “Onde pensa que vai?” advertiu ele, retornando à sua missão. Movimentos longos, profundos e meticulosos a inflamaram. Ela falou disparates, gemeu sem palavras. Ele estava feroz empurrando-a para o abismo.

“Por favor,” implorou ela. “Por favor… por favor… por favor!”

A língua circulava. Ela fazia esforço para cima, os punhos cerrados, a cabeça atirada para trás. Ela a beijou. “Você é deliciosa,” falou ele. “Que homem não viveria disto?” Ele estava escanchado sobre os quadris de Lia, e sua rigidez cutucou-a. “Vou me apossar de você bem aqui no chão.”

A possibilidade de ser descoberta a preocupava, mas a idéia levou sua excitação ao degrau seguinte. Ele entrou sem aviso. Ela estava prontíssima. “Estava me esperando, não estava?” cutucou ele. Sem confiar na própria voz, ela assentiu com a cabeça. Ele saiu quase completamente e depois avançou de novo, mais forte e mais fundo. “Agora,” disse ele, “estou em casa.”

Ela imaginou a cena. Tiago montado nela, despido, as costas musculosas brilhando de suor. Seus dedos cravados nos braços dele. Os impulsos eram furiosos. Ele pôs a mão aberta no peito dela, sobre o coração. “Está bem perto,” murmurou ele, “eu sempre sei. Vamos juntos, Lia.” Travaram o olhar um no outro.

Em resposta, ela envolveu-o com as pernas. Mais perto, impossível. Ela mordeu seu mamilo, e depois beijou-lhe o pescoço e o queixo. Algo então pareceu se romper dentro dele. Os golpes viraram uma loucura, e o passo frenético atirou-a para o abismo. Ela gritou alto, não se importando mais que ouvissem.

Ele apoiou a própria testa na dela, e se atirou também.

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