O Casamento: Capítulo 26

Dormi sozinho essa noite. Alia achou que seria inadequado ficar comigo na noite anterior ao casamento. Era um pensamento estranho, tendo em vista que ela dividiria a cama comigo até a velhice. Cedi à sua preocupação, presumindo que dissesse respeito à própria cerimônia. De qualquer modo, não acredito que Angelica teria se ressentido. Foi difícil dormir. Sem o abraço quente de Alia, as ponderações sobre o casamento não saíam da minha cabeça. Fui despertado logo cedo, por Lucius, quando mal tinha acabado de fechar os olhos.

Um banho tinha sido preparado, e roupas simples separadas. O traje formal eu vestiria mais perto da hora. Tomei depressa o café da manhã na cozinha, sem dar atenção aos convidados reunidos no salão principal. Eles se fartariam de mim no banquete. Saí à procura de Balen e sua mãe.

Achei Balen vestindo uma calça comprida demais, e a costureira dando duro para ajustá-la. Ele estava de costas para mim, de pé, estoicamente imóvel, enquanto a costureira puxava daqui e empurrava dali. Tendo padecido uma semana disto, eu fiquei com pena do seu infortúnio.

“Como vão os ajustes, madame costureira?” perguntei para quebrar o silêncio.

“Bem, meu Senhor,” disse a costureira, sem interromper o serviço. Ela estava sob pressão do relógio, e com certeza me considerava uma interrupção indesejável. Notei que Balen ia começar a se virar para me cumprimentar.

“Fique parado, mestre Balen,” disse eu, bem humorado, “senão ela o obriga a recomeçar.” A costureira se empertigou.

“Bom dia, meu Senhor,” disse Balen, por sobre o ombro. Notei em seu olhar uma excitação que aumentava a minha.

“Bom dia,” devolvi, “a sua mãe está bem instalada?” Balen acenou com a cabeça para o quarto adjacente.

“Sim, meu Senhor,” disse Balen, “a Senhora Mylle foi amabilíssima. Minha mãe costuma ficar muito nervosa, mas a senhora aliviou a maior parte.”

“Eu ficarei felicíssimo por conhecê-la hoje,” disse eu.

“Tenho de agradecê-lo, meu Senhor,” continuou Balen, “a carruagem e a guarda deixaram-na muito contente. Ela se sentiu especial, ao menos por hoje. É bom de se ver.” Isto estava funcionando melhor do que o planejado. A extravagância não seria desperdiçada. Melhorou muito o meu humor.

“Fico contente,” admiti, “deixarei a costureira com a sua tarefa.” Ia sair, mas então lembrei-me das palavras da minha mãe. “Você e sua mãe se sentarão à mesa principal, junto à rainha. Encontrarei vocês lá.” Foi bom ver os seus olhos arregalados. Era tão pouco que eu lhe dava, e ele devolvia muito mais. Sorte, ele a chamou. Era fácil de transmiti-la, nisto ele tinha razão.

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