A Presa: Capítulo 30 – Teegan

Ao trazer o cabide para o meu ombro, ele escapou dos meus dedos; meu coração quase parou com o meu novo vestido voando em direção ao chão. Me curvei rapida­mente para pegar. Alguma coisa passou como um raio sobre a minha cabeça, e escutei o ar saindo à força dos pulmões de Zane. Um calor vermelho salpicou a minha pele e todo o plástico transparente do vestido. Zane caiu, Caleb me derrubou no chão, e através da conexão eu senti o grito de mamãe.

“Zane!” berrei, me arrastando sobre o vestido para ten­tar alcançá-lo. Ele estava deitado de costas, o sangue vertendo do lado esquerdo do peito. Caleb me puxou para o carro e depois agarrou o braço de Zane e arras­tou-o pelo asfalto. Havia imensa dor e medo na conexão de Zane.

“Fique abaixada junto ao carro,” ordenou Caleb. Seu de­sejo de me manter segura estava no topo dos seus pensa­mentos. Me arrastei até Zane e coloquei a minha mão sobre o buraco no peito, tentando estancar o sangue. Zane tentava falar, mas nada exceto arquejos lhe escapa­vam. Algo se rompeu na minha cabeça, meus olhos se encheram de lágrimas. Descobri a música de Zane no éter dos meus pensamentos e segui a conexão. Ao tomar para mim a sua dor, gritei novamente. Caleb me agarrou, e escutei o seu gemido ao receber a dor que saía de mim.

Caleb colocou a sua mão sobre a minha, e com a outra sacou o telefone.

“Socorro!” gritei no estacionamento, na esperança de que alguém visse o que estava acontecendo. Caleb deu um jeito de discar 911 com uma mão, a outra recoberta pelo sangue do meu irmão. Os olhos de Zane se fecha­ram, e eu senti a sua mente desaparecendo. Algo medo­nho preencheu a minha mente. A ira, descontrolada e brutal como nunca conheci, ouriçou-se em forma de adagas. Caleb recuou por dentro com a emoção, sua mão tremendo ao segurar o telefone.

Um pedaço de mim se expandiu numa busca cega em círculos cada vez mais largos, como um cão raivoso fare­jando com ódio no coração. Caleb gritava ao telefone pa­lavras que eu mal compreendia. Do outro lado da rua, no alto do telhado, encontrei uma mente que me atolou de repugnante malícia. Apoderei-me da mente com um aperto de morte. Fiquei em pé, minha mão ensangüenta­da abandonando Zane. Caleb gritava para que eu me abaixasse. Não importava mais, a ameaça já não estava mais no controle.

Era estranho: me vendo através da mira telescópica de um rifle, a minha raiva aumentou. Com um simples pen­samento, eu rompi a conexão do atirador com as suas mãos. Foi uma satisfação ver o medo do homem ao per­ceber a sua fraqueza. Minha conexão com Caleb e minha família diminuiu para eu me dedicar com tudo o que eu tinha ao cérebro do homem. Quebrei uma por uma as conexões da mente dele, alegrando-me com a sua vergo­nha ao perder o controle da bexiga e intestinos. Meu ir­mão valia mil dele. Descobri nomes, dele e de um outro, e me aprofundei. Suas experiências me enojaram. Escu­tei o seu grito quando varri as lembranças da sua mente. Não bastava, não era suficiente dor para o que ele tinha feito.

“Pare!” berrou Caleb. Olhei para baixo, para o meu ir­mão, a mão de Caleb em vão tentando manter a vida nele. Caí de joelhos e Caleb me inundou de amor. Meu corpo ofegava à medida que a ira se punha à parte. Ou­tro homem acorria, acompanhado por uma mulher mais vagarosa. Percebi o pânico de Caleb ao se sentir inútil contra o esvanecimento da vida de Zane. O sangue saía lentamente dos lábios de Zane. Abri a minha mente e gritei em silêncio. O conhecimento atendeu, e Caleb ou­viu.

“Me ajude a virá-lo de lado,” ordenou Caleb ao homem mais velho que tinha vindo em nosso auxílio. “Seu pul­mão está enchendo de sangue. Precisamos usar a gravi­dade para que o outro não encha.” Eles o rolaram de lado; a mulher, provavelmente esposa do homem, se aproximou lentamente de mim. Ela não tinha a confian­ça do marido.

“Rasgue aquele plástico,” disse Caleb ao homem, indi­cando o smoking. Caleb estava ocupado removendo a ca­misa de Zane, e minha vista começou a perder o foco. Tentei alcançar Zane na minha mente e achei apenas um fiozinho do que ele era antes. Ele morria, e eu sabia que era por minha causa. Forcei-me para cima dele, acal­mando o seu corpo, tentando diminuir a velocidade de tudo, enquanto Caleb começava a cobrir de plástico o fe­rimento causado pela bala.

“Daniel,” disse a mulher apontando para mim, “os olhos dela estão sangrando.” Zane desaparecia, e então entre­guei-lhe o resto de mim. Tudo ficou escuro.

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