Selvagem

Durante o verão, ao participar dos preparativos para o casamento de sua melhor amiga, Connie Corleone, Lucy ouvira as histórias murmuradas a respeito de Sonny. Uma tarde de domingo, na cozinha de Corleone, a esposa de Sonny, Sandra, falou francamente. Sandra era uma mulher rústica, de bom temperamento, que nascera na Itália, mas fora trazida para a América quando ainda muito pequena. Tinha uma compleição robusta, com seios enormes, e já tivera três filhos em cinco anos de casada. Sandra e as outras mulheres atormentavam Connie contando os terrores do leito nupcial. “Meu Deus,” falava Sandra rindo, “quando vi a vara de Sonny pela primeira vez e soube que ele ia meter aquilo em mim, gritei como louca. Depois do primeiro ano, minhas entranhas estavam tão moles quanto um macarrão cozido por uma hora. Quando eu soube que ele fazia aquilo com outras moças, fui à igreja e acendi uma vela.”

Todas elas riram, mas Lucy sentira sua carne contorcendo-se entre as pernas.

Agora, à medida que ela subia a escada em direção a Sonny, um tremendo ardor de desejo percorria-lhe o corpo. No patamar, Sonny agarrou-lhe a mão e puxou-a pelo corredor até um quarto vazio. As pernas dela fraquejaram quando a porta se fechou atrás deles. Ela sentiu a boca de Sonny na sua, os lábios dele com gosto de fumo queimado, amargo. Abriu a boca. Nesse momento, ela sentiu a mão dele subindo por baixo do seu vestido, ouviu o ruído de material cedendo, sentiu a mão quente dele entre as suas pernas, rasgando a calcinha de cetim para acariciar-lhe a vulva. Ela passou-lhe os braços em torno do pescoço e pendurou-se aí enquanto ele desabotoava as calças. Depois, ele pôs as duas mãos por baixo das nádegas nuas de Lucy e levantou-a. Ela deu um pequeno salto no ar de forma que as pernas se enroscaram em torno das coxas dele. A língua de Sonny estava na boca da moça e ela chupava-a. Ele deu um impulso selvagem que a fez bater com a cabeça na porta. Ela sentiu qualquer coisa queimando passar-lhe pelas coxas. Deixou cair a mão direita do pescoço dele e foi até lá embaixo para guiá-lo. Sua mão fechou-se em torno de uma enorme vara comprida feita de músculos e intumescida de sangue. Pulsava em sua mão como um animal, e quase chorando de êxtase e prazer, ela introduziu-a em sua própria carne túrgida, úmida. O impulso da penetração desse objeto, o prazer inacreditável, fizeram-na perder o fôlego, passando as pernas quase na altura do pescoço de Sonny, e depois, como uma aljava, o seu corpo passou a receber as setas selvagens dos impulsos relampejantes dele; inúmeros, torturantes, arqueando sua pelve cada vez mais profundamente até que pela primeira vez na vida ela atingiu um clímax despedaçante, sentiu a firmeza dele fraquejar e o formigante escorrer de sêmen pelas coxas. Lentamente suas pernas se desprenderam do corpo dele e deslizaram para baixo até alcançar o chão. Eles estavam reclinados um sobre o outro, sem respiração.

— Mario Puzo, 1969

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