A Presa: Capítulo 27 – Anthony

“Já confirmamos, Sr. Sabbatini,” eu disse satisfeito. Sab­batini parecia moribundo, mas surgiu um sorriso com dentes amarelados. Me perguntei quanto tempo mais ele agüentaria até ir para junto de Deus.

“Graças ao Senhor,” disse Sabbatini, escolhendo as pala­vras e pronunciando-as pausadamente no compasso da respiração sofrida. “Pensei que iria decepcionar Deus.”

“Não, senhor,” eu disse convicto. “Um dos nossos viu-a numa reunião com o Dr. Gunderson.” Sorri ao revelar. “Na hora ele não sabia, mas bateu umas fotos e agora nós temos 100% de certeza.”

“E o exército da coisa?” perguntou Sabbatini, fazendo um esforço para ficar mais sentado na cama. Imediata­mente eu me adiantei para ajudá-lo, afofando os traves­seiros para ele poder me olhar mais diretamente.

“Parece que tem um namorado,” informei-o. “Não é bem um exército, só alguém que a coisa ludibriou para pro­tegê-la. Até onde podemos determinar, ele é um auto-didata em defesa pessoal. Nada com que devamos nos preocupar excessivamente.”

“Não subestime o seu poder,” instruiu Sabbatini, “O que parece frágil à primeira vista pode ser mais forte do que você jamais imaginou. Vai manipular e trapacear para arrebanhar pessoas para a sua causa. A coisa assexuada escolheu uma forma feminina para debilitar a nossa de­terminação. Não duvide: ela usaria aquele negócio peca­minoso no meio das pernas para enganar as mentes fra­cas e atraí-las para o seu lado.” Sabbatini riu um riso do­loroso de se ouvir, um som arruinado pelo catarro e pe­los pulmões fracos. “Eu apostaria que ela ajuntou um monte de garotos jovens dispostos a se sacrificar por momentos de prazer.”

“O sexo é o parque de diversões do demônio,” confirmei assentindo com a cabeça.

“Já decidiram o final?” perguntou Sabbatini, lutando em seguida com um ataque de tosse. Esperei que acabasse para que ele pudesse conhecer claramente a minha dedi­cação à causa.

“Sabemos onde a coisa vai estar no sábado,” eu disse, “para buscar um vestido, vai atravessar um estaciona­mento com uma boa linha de fogo. Me disseram que vai ser rápido e mortal.”

“O atirador é bom?”

“O melhor,” eu disse, pouco contente com o fato do alvo em forma de jovem garota ter aparentemente agradado o atirador. Deus tinha os seus caminhos misteriosos, mas era um caminho desconfortável. “Seu contato me garantiu um homem de talento singular. Treinado pelos melhores até se tornar o melhor. Me contaram que em seu registro há dezesseis mortes a mais de 500 metros no Iraque.”

“Ahhh,” suspirou Sabbatini, “ele foi bem preparado por Deus. Assim tudo acaba no sábado.”

“Sim.”

“Então, graças ao seu zelo, o mundo se livrará da praga repugnante,” disse Sabbatini. “Um dia, quem sabe, da­qui a muitos dias, você me fará companhia no céu, o or­gulho dos anjos, uma alma singular escolhida por mãos divinas.” O elogio me fez dar um sorriso radiante, e eu senti algo que pode apenas ser descrito como a luz de Deus percorrendo as minhas veias.

“No sábado teremos realmente uma vitória magnífica,” disse eu. Trocamos sorrisos, o amarelo dele pelo branco meu. Meu pai morreu antes mesmo de eu conhecê-lo; se eu tivesse um, porém, eu desejaria que fosse exatamente como Nicholas Sabbatini.

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