O Casamento: Capítulo 21

Sunrise estava especialmente irrequieta pela manhã. Por duas vezes Angelica teve que dominar pelas rédeas o seu entusiasmo. Ao seu lado, Storm se mexia com pachorra, contente com o meu ritmo.

“Foi tão delicioso quanto você lembrava?” perguntei a Angelica.

“Deliciosíssimo, meu Príncipe,” respondeu Angelica, “noto, pelo seu sorriso, que você não ficou se remoendo de ciúmes por isso.” Era um sorriso provocador. Sunrise deu um leve arranque, e Angelica reteve-a novamente.

“Vamos deixá-la correr um pouco?” sugeri. “Parece que a ciumenta é ela.” Incentivei Storm até o galope, Sunrise veio atrás sem precisar de incentivo. Cavalgamos à toda velocidade, em silêncio, por quatro áreas não cultivadas. Diminuímos a marcha ao chegarmos perto da cerca. Sunrise pareceu se acalmar.

“Dentro de uma semana nós seremos marido e mulher,” lembrou Angelica, “daí haverá obrigações.”

“Você deseja começar logo?” perguntei, surpreso. Achei que iríamos devagar.

“Um herdeiro deixaria tudo mais sólido,” disse Angelica, “Uri jamais rejeitaria um sobrinho, quaisquer que fossem os seus sentimentos a meu respeito. É preciso assegurar o futuro.”

“Falou como uma rainha.” Eu sorri.

“Meu pai não viverá para sempre,” continuou Angelica, “Uri, ao contrário do que eu esperava, não amoleceu para o meu lado. Sem o seu apoio, corremos risco.” Angelica abriu um sorriso maroto: “Além disto, a idéia de um Cayden em miniatura não é desagradável.”

“Ou uma pequena Angelica,” acrescentei.

“Ó! Seria a sua ruína,” riu Angelica, “ela governaria o reino através de você. Você nunca conseguiria dizer não.” Pensei naquilo. Era verdade, mas uma filha era, a meu ver, tão perfeita, que a palavra ‘não’ seria desnecessária. Uma filha e também um filho… a idéia crescia dentro de mim.

“É por isto que tenho você ao meu lado,” gracejei, “eu os amarei, e você os disciplinará.”

“Eu disciplinarei você,” replicou Angelica. Trotamos por algum tempo, enquanto Sunrise e Storm se recuperavam da corrida.

“Você vai achar a produção de um herdeiro… incômoda?” perguntei com cuidado. Eu não sabia o que pensar sobre o que ela pensava. Não sabia se ela sentia repulsa pelos homens, ou se apenas não sentia atração. Não sabia nem mesmo se a pergunta era ofensiva.

“Conversei com Alia a respeito,” declarou Angelica, como se conversássemos sobre o tecido da cadeira, “ela disse que, na primeira vez, há um pouquinho de dor. Ela pareceu ter certeza de que eu não acharia desagradável depois disso.” Angelica me encarou com o rosto sério. “Ela diz que você é muito bom nisso.” Corei. “Vou pedir que vá devagar, sem muita volúpia da primeira vez.”

“Você falou com Alia sobre isso?” Só a idéia já me deixava nervoso.

“Bem, eu não posso falar com Mylle a respeito,” Angelica soou exasperada, “ela sabe tanto quanto eu. Era Alia ou a minha mãe. Ou talvez você preferisse que eu falasse com a sua.” A idéia da minha mãe dando conselhos de cama à minha esposa era pior do que Alia fazendo o mesmo.

“Alia sabe que terá de acontecer,” acrescentou Angelica, “melhor torná-la parte disso.” Eu tossi para me livrar do nó na garganta. “Preciso contar a Mylle também. Ela teve menos tempo de pensar no assunto. Para ela pode ser mais difícil.” Angelica ergueu os olhos para mim. “Você tem que jogar aquele jogo hoje à tarde. Ela está contando com a sua promessa.”

“Eu não perderia por nada,” falei, absorto, imaginando como Alia tinha lidado com o questionamento. “Alia ficou magoada com as suas perguntas?” interroguei.

“Não, acho que não,” respondeu Angelica, pensativa, “ela pareceu sinceramente interessada, e explicou tudo bem direitinho.”

“Será que eu preciso falar com ela sobre isso?” perguntei, preocupado que Alia não tivesse levado numa boa. Depois da noite passada, eu não queria que nada alterasse a sua opinião sobre mim.

“Conversamos há uma semana. Acho que agora já estaria deteriorado se ela tivesse se incomodado,” disse Angelica, sem raciocinar. Minha mente deu um suspiro, e eu senti que os meus ombros relaxavam. Não, Alia não estava perturbada ontem à noite. Sorri intimamente.

“Já está de volta?” perguntou Angelica. Ergui os olhos e encontrei o seu sorriso.

“Desculpe, minha Princesa,” falei sinceramente, “sim, estou aqui com você.” Eu sorri: “Só estou tentando imaginar como é fazer um bebê em você.” Não fui rápido o bastante para me esquivar da sua mão. Eu podia falar sobre isso; pensar, não.

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