O Casamento: Capítulo 20

“O Príncipe Uri não parece contente,” observou Alia naquela noite. Quase todos já se tinham recolhido, e estávamos sozinhos no quarto. Angelica e Mylle partiram sem alarde, o que me fez supor que resolveram compensar o tempo perdido.

“Ele só enxerga o mundo do jeito dele,” falei ao me sentar para relaxar. Alia ajustou a cadeira de modo a ficar de frente para mim, e depois colocou os pés despidos sobre o meu colo. Com ar ausente, fiz massagem nas solas. “Não creio que nos encaixemos na sua visão.”

“Mylle tem muito medo dele,” acrescentou Alia.

“É um infame ignorante,” disse eu, “mas há nele uma certa honra. Vai obedecer as palavras do pai. Não fará nada para magoá-la.” Os olhos de Alia se fecharam quando esfreguei um ponto sensual.

“Mmmm,” arrulhou Alia, “Angelica adora você.” Alia não abriu os olhos, nem mexeu os pés. Só me informou o que ela sabia.

“Isto a incomoda?” perguntei, mantendo a voz tranqüila e regular. O assunto acabaria vindo à tona, e, secretamente, eu ficava feliz por ela ter começado.

“Um pouco, às vezes. Normalmente, não,” respondeu Alia como se eu lhe perguntasse o que queria de almoço, “acho que será melhor desse jeito. Sempre soube que aconteceria.” Movi as minhas mãos para o mesmo ponto sensual no seu outro pé. Observei os seus ombros virarem mingau e ela afundar mais na cadeira. Era um momento propício para entrar no assunto.

“Também eu tenho sentimentos por ela,” falei calmamente.

“Que eu encorajei,” disse Alia, sonolenta. Ela tinha insistido para que eu honrasse os compromissos com Angelica. “Vejo a mesma coisa começando em Mylle. Ela está desesperada para ensiná-lo a jogar o jogo dela. Com o tempo, buscará também o seu amor.”

“Só faz algumas horas que ela me conhece,” falei, incrédulo, “é Angelica que ela ama.” O olho direito de Alia se abriu, e o seu sorriso adorável surgiu.

“Não vou me ressentir,” disse Alia em voz baixa, “é uma coisa estranha isto que estamos construindo, e o amor é inevitável.” Ela abriu o outro olho. “Sou eu que aproveito você inteiro. Posso dividir uns pedaços.”

“Você enxerga muito mais do que deixa transparecer,” disse eu, “teria dado uma ótima rainha.” Alia fechou de novo os olhos, e eu continuei em seus pés. “Estou totalmente à sua mercê,” pensei em voz alta.

“Você me ama por isto,” disse Alia, a voz sumindo no final. Comecei a bolinar os tornozelos, logo acima do calcanhar. Ela derretia na cadeira. Era verdade. Eu a amava mesmo por isto. Subi a mão pela panturrilha, por baixo do vestido. Ergui a sua perna e beijei o dedão. Notei quando um leve estremecimento percorreu a sua perna, e um sorriso apareceu em seus lábios. Beijei o segundo dedinho e depois, lentamente, suguei-o com a boca. Ergui um pouco mais a perna, e a bainha do vestido desceu até as coxas. A vista foi melhor do que eu havia imaginado.

“Alguma vez você usa roupas de baixo?” perguntei com um sorriso.

“O meu segredo já era,” gemeu Alia.

“Como é que eu posso me controlar sabendo disto?” brinquei. Alia baixou as pernas e rastejou até a minha cadeira. Abriu a minha calça e puxou-a para fora. Rindo, puxou-me mais para frente no assento. Ergueu a saia e sentou-se sobre mim com as pernas abertas, ali na cadeira mesmo.

“Seria mais rápido se você não usasse calça todo dia,” sorriu Alia. Alcançou entre as minhas pernas e me guiou para dentro dela. Nós dois estávamos prontos. Ela desceu até se apoiar sobre as minhas coxas. Não se moveu mais depois de se acomodar.

“Está vendo? Você é meu agora,” disse Alia, com doçura.

“Sou sempre seu,” falei. Alia sacudiu a cabeça.

“A sua mente divaga, o seu amor também.” Alia segurou meu rosto com as mãos. Beijou meu nariz. “Agora você só pensa em mim. É neste momento que tenho você inteiro.” Ela me beijou nos lábios, e senti que sorria quando a minha virilidade pulsava. “A sua mãe notou isto em você aquela noite em que discutiram. Ela me contou que você teria jogado sua família fora por mim. Ela implorou para que eu desfizesse o que estava feito. Nunca imaginei uma rainha me implorando. Me tornou filha para reparar o seu coração. Esse é o amor que eu recebo de você. Um amor que move um reino. Eu o estimo acima de tudo.”

Não achei palavras para o que Alia disse. Atos eram as únicas respostas que pareciam apropriadas. Fiz amor devagar, e muito, muito concentrado. Ela tinha razão: eu não pensava em mais ninguém.

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