O Casamento: Capítulo 16

Existem muitas definições para a felicidade. Para alguns, ela se mede em vinhos, mulheres e canções. Para outros, consiste na busca dos sonhos. Para Alia, era se sentar à mesa principal. Angelica se sentou entre nós dois, o que foi bom para evitar que a minha pegação nos denunciasse. Alia usava um vestido novo, que eu supus vir do guarda-roupas de Angelica. Era de tom rosado, adornado por um rodamoinho floral cor de latão. As mangas lançavam-se para o ar, indomadas, quase a formar asas. Os lados eram cingidos por uma fita em tom mais forte de rosa, enfeitada com laços nos quadris, as pontas soltas derramando-se até o chão. Era uma visão irresistível, sobretudo por causa do seu sorriso espontâneo.

Eu passei quase todo o jantar observando Alia. Angelica interferia para manter as ilusões, mas o meu olhar, sempre que podia, escorregava na direção de Alia. Havia pequenas margaridas trançadas em seus cachos, e elas dançavam quando ela movia a cabeça. Minha mãe fez questão de falar com ela, e arrastou-a para outras conversas.

“Será que você consegue fazer mais cara de apaixonado?” sussurrou Angelica. Subitamente, o meu olhar fitou o seu, a minha mente agora atenta.

“Ela está tão feliz…” repliquei em voz baixa. Angelica sorriu e chutou a minha perna sob a mesa. Eu ri daquele gesto de irmã.

“Irá me levar amanhã para uma cavalgada, meu Príncipe?” perguntou Angelica num tom menos secreto. Eu teria preferido passar o dia com Alia, mas, desta vez, os meus deveres não o permitiriam. A minha noiva requisitava a minha atenção.

“É claro. Não vejo a hora, minha Princesa,” respondi com vivacidade, “creio estar lhe devendo um desafio, e um que seja um pouco mais justo do que o primeiro.”

“Não foi justo o primeiro desafio?” perguntou o rei Toric, se intrometendo.

“Infelizmente, vossa Alteza, deixei de mencionar a rota mais fácil à minha senhora,” disse eu, sorrindo até a orelha. O rei bateu no joelho e riu.

“Eu me perguntava como é que Sunrise poderia perder para aquele seu cavalo de guerra,” disse o rei. Storm foi criado para ser forte. Podia se mover a uma grande velocidade, completamente armado, pelo campo de batalha; o mesmo peso esmagaria Sunrise. Desarmado, não tinha a leveza de Sunrise, nem a sua natureza flexível.

“Me critica por tirar vantagem, vossa Alteza?” perguntei.

“Não, de jeito nenhum,” respondeu o rei, bem-humorado, “conheço a minha filha: aproveite as vitórias enquanto pode. Serão poucas.” Desta vez eu ri, e ganhei outro chute sob a mesa. Então notei um estremecimento em Angelica. Alia sorria para mim. Creio mesmo que ela tenha chutado Angelica por mim. A conversa desviou-se para raças de cavalos e seu treinamento. Tudo pesado, foi um jantar agradável. A minha família esquisita se acostumava com ela mesma. Minha mãe e meu pai se alegravam, ou estavam ao menos tolerantes, com a situação.

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