A Presa: Capítulo 20 – Natalie

“Vou avisar os pais dele,” falei ao Sam. Ele assentiu, em­bora eu soubesse que ele não achava boa idéia. Teegan estava ocupada limpando com uma toalha úmida o resto de sangue no rosto de Caleb. Ele estava descansando sossegado na cama de Teegan, mas eu sabia por expe­riência que ainda levaria um tempo até ele despertar. Não era uma coisa que eu podia esconder de outra mãe.

Teegan estava sentada na cama, fazendo papel de enfer­meira particular de Caleb. Acho que finalmente ela che­gou a um acordo sobre os sentimentos que tem pelo ga­roto. Era tão óbvio para todo mundo, mas a menina que podia partilhar os sentimentos por atacado tinha dificul­dades para assimilá-los. Sorri ao ver que ela limpava sua­vemente o rosto de Caleb como se fosse a tarefa mais importante do mundo. Minha filha virava mulher. Que Deus ajude Caleb agora.

Desci a escada e tive uma conversa super confusa por te­lefone com Grace McGuire. Não consegui lhe dar uma explicação completa; ficou resumida à briga e ao fato de que ele estava dormindo aqui. Não é preciso dizer que Grace e seu marido Jack estavam a caminho, já que Ca­leb não podia falar por si. Uma noite muito confusa, é isto que vai ser.

Samantha e Gene estavam na sala de estar, aguardando pacientemente Teegan descer. Eu não fazia idéia de como lidar direito com as conseqüências. Só sabia que Teegan estava bem, e o resto se arranjaria sozinho.

Meu coração tinha voltado ao normal, afinal. Quando Teegan gritou por nós, minha mente se encheu de visões horríveis. Eu só conseguia pensar que estava distante demais. Eu sabia o que estava na cabeça daquele garoto medonho. Eu sabia o que ele queria tirar da minha filha, e eu estava muito longe para fazer qualquer coisa. Gra­ças a Deus que o Caleb estava lá. Eu podia enfrentar um milhão de pais irados, contanto que meu bebê estivesse bem.

“Ele está dormindo,” disse Teegan, descendo a escada. Sam a seguia, quase pairando sobre ela. Ele nunca vai admitir, mas o incidente também o afetou bastante. Ele não gostava de estar ausente quando Teegan tinha pro­blemas. Eu percebi a sua agonia, e ele a minha. Vamos ficar na maior desorientação quando ela for para a facul­dade.

Teegan sentou-se com Samantha e Gene no sofá. Sam ocupou a poltrona, e eu me sentei no braço dela junto dele. Sam passou o braço pela minha cintura para me se­gurar. Pus a minha mão sobre a dele para garantir que não saía dali. Podíamos apenas apoiar Teegan nas expli­cações que ela queria dar, quaisquer que fossem. A estó­ria era sua, e era ela quem escolhia contar muito ou pou­co.

“Estou devendo algo a vocês,” começou Teegan. “Talvez eu devesse ter feito isto um tempo atrás, mas eu meio que queria manter em segredo. Depois de saberem, eu espero que guardem para vocês.” A confusão nos rostos de Gene e Samantha só aumentava. Teegan aguardava uma resposta, que demorou mais do que o previsto en­quanto os dois assimilavam a frase.

“Você está doente ou o quê?” perguntou Samantha. Gene arregalou os olhos diante daquela idéia.

“Ou o quê,” suspirou Teegan. Ela estendeu a mão. “É mais fácil mostrar do que explicar. Geralmente só funcio­na quando eu toco em alguém.” Senti que a mão de Sam me apertou, e eu lhe dei um tapinha discreto. Era a vida dela e a decisão dela. Hesitante, Samantha es­ticou o braço e cobriu a mão de Teegan com a sua. Tee­gan olhou para o Gene, que deu de ombros e também pôs a mão.

Saber quando Teegan se abria era mais fácil do que eu pensava. Tanto Gene quanto Samantha arregalaram os olhos e as preocupações sumiram de seus rostos. Envolvi a mão de Sam com os meus dedos, e ele me puxou para mais perto.

“Uau,” disse Gene ao retirar a mão. Vi quando um sorri­so se formou no rosto de Samantha, e suas bochechas fi­caram coradas. Ela soltou Teegan e rapidamente se vol­tou para o Gene.

“Sem vergonha,” disse Samantha. Não soou como uma censura, e seu sorriso também contrariava as palavras. Teegan revirou os olhos na nossa direção.

“Quê?” disse Gene. Samantha deu-lhe um tapa no om­bro, brincando.

“É injusto ainda,” disse Sam com uma risadinha. Apertei sua mão e me recostei um pouco mais.

“Quê?” repetiu Gene.

“Eu vi o que você estava pensando,” disse Samantha. Seu sorriso aumentou mais um pouco.

“Ei!” falou Gene, inclinando-se para contornar Saman­tha. “Eu a senti, mas não vi nada.” Ele se dirigia a Tee­gan num tom acusatório.

“Eu não controlo totalmente,” disse Teegan. “Eu nem vejo as coisas que não se dirigem a mim. Eu capto emo­ções e tal, mas o resto meio que passa por mim, eu acho.” Senti Sam relaxar na poltrona, e sorri. Acho que ambos estávamos preocupados com os pensamentos que tínhamos entre nós dois. Era bom comprovar que Tee­gan não estava a par de tudo.

“Não é justo,” disse Gene. Samantha riu e beijou sua tes­ta. “É como se ela estivesse trapaceando ou algo do tipo.” Ele mirou Samantha. “Não consigo deixar de pensar.” Samantha estava praticamente radiante. Eu não precisa­va da ligação para saber onde ela depositava seu cora­ção.

“Desista,” disse Sam. “Nunca é justo, mas é sempre sin­cero.” As memórias de nossas primeiras semanas juntos acenderam em mim uma nova paixão, e eu apertei sua mão. Os pensamentos que ele tinha de mim me fizeram sentir como uma deusa. Suspeito que Samantha estives­se com a mesma sensação.

“Como você faz isto?” perguntou Gene.

“É uma longa estória,” suspirou Teegan.

“Faça de novo,” disse Samantha com um sorriso que ameaçava rasgar seu rosto. Estendeu a mão.

“Não sou brinquedo,” disse Teegan, mais ríspida do que o necessário. Samantha desfez o sorriso e olhou para a velha amiga.

“Desculpe,” falou Samantha, “não quis dizer isso.”

“Desculpe,” disse Teegan se acalmando, “é só que pode causar problemas também. Geralmente eu bloqueio. Es­tou mostrando apenas para vocês entenderem.”

“Ninguém mais pode saber disto,” disse eu.

“Estamos meio que escondidos,” acrescentou Teegan, concordando com a cabeça. “Há pessoas que não podem saber onde eu estou. Tenho quase certeza de que agora eles já me esqueceram, mas nunca se sabe.”

“Quem é você?” perguntou Gene. Teegan cobriu o rosto com as mãos e se virou. Eu fui imediatamente para o lado dela.

“Nossa filha,” disse Sam. Eu vi que ele se endireitou, le­vando para o lado pessoal tanto quanto Teegan.

“Eu não tinha intenção…” disse Gene, confuso.

“Pense antes de falar,” disse Samantha, passando o bra­ço em volta de Teegan.

“Tudo bem,” suspirou Teegan. Não acho que estivesse bem de fato. Ela tinha perdido um pouco de energia. Respirou fundo e endireitou as costas. “Eu sou diferente, e preciso me acostumar a isto.” Eu vi que o Gene amea­çou dizer algo, mas achou melhor não.

“Somos todos diferentes,” disse Samantha. “Somente que você é um pouquinho mais extravagante a respeito.” Por algum motivo aquilo fez Teegan se animar. “Eu não adoro você nem menos nem mais, embora eu tenha mes­mo um milhão de perguntas.” Teegan assentiu e elas tro­caram um sorriso. Só sei que eu me senti melhor.

“Digamos apenas que nasci diferente, e fiquemos assim,” disse Teegan.

“Você sempre teve essa habilidade?” perguntou Gene.

“Desde bebê,” respondeu Teegan. “Ficou mais fraca à medida que eu cresci.”

“Isso foi fraco?” perguntou Samantha, arregalando os olhos de surpresa. Teegan sacudiu a cabeça.

“Despertou de repente,” continuou Teegan, “no show do Caleb.”

“Mais forte do que quando ela era bebê,” acrescentei, es­fregando as costas de Teegan. Baixei a mão ao lembrar que ela não era mais criança.

“É porque você o ama,” disse Samantha, cobrindo então a boca rapidamente com a mão, envergonhada por dei­xar escapar a frase.

“Sim,” disse Teegan. Percebi, pela ligação, o choque de Sam. Refletia o meu. “Daí eu quase o converti em assas­sino.” Seus olhos marejavam: “Que raio de namorada, hein?”

“Caramba,” disse Gene, “quer dizer que você pode fazer qualquer um virar herói daquele jeito?”

“Ela não faz ninguém fazer nada,” eu disse brava. “Só acontece quando existe algum tipo de problema ou ne­cessidade extrema.” Gene pareceu ficar horrorizado por ter aberto de novo a boca. Descontraí o rosto, perceben­do ter soado mais irritada do que eu de fato estava. “Ela estava buscando o pai e eu, e Caleb entrou no meio.”

“É porque ele ama você,” disse Samantha. Desta vez ela não tapou a boca. Teegan e Samantha trocaram um olhar secreto e depois se abraçaram. Apoiei as costas no sofá, ligeiramente enciumada por ela precisar mais da amiga do que da mãe neste instante. Deixei passar e olhei para Sam, que me deu um sorriso discreto. Ele sa­bia como eu me sentia, o que era reconfortante a seu modo. Pequenas pulsações de amor viajaram entre nós, reforçando a minha maternidade enfraquecida.

“Alguma coisa acontece quando Teegan ou alguém que ela conhece está em perigo,” disse Sam especialmente para o Gene. “A ligação se estabelece e… bom, você sen­tiu: começa um pensamento perfeito. Só que ela permite que você acesse o que precisa. É apenas um palpite, mas achamos que ela deixa você acessar outras mentes. No caso do Caleb, pessoas peritas em luta corpo-a-corpo.”

“Tem um custo,” acrescentei. “Caleb vai ficar apagado pelo menos até amanhã de manhã.”

“Você pode se acostumar e durar mais, mas alguma hora isso exige o pagamento,” disse Sam. Eu vi que o Gene es­tava explodindo com mais perguntas, mas meritoria­mente ele se conteve. Acho que ele percebeu que as emo­ções estavam descontroladas, e seu jeito ostensivo não funcionaria bem.

“Eu tentei detê-lo,” disse Teegan, “quando senti o ódio aumentar. Estava pervertendo-o, mas eu não conseguia bloqueá-lo. Ele simplesmente inundou tudo.”

“Você o deteve antes que fosse tarde demais,” eu falei em voz baixa. Teegan assentiu.

“E Mason teve aquilo que merecia,” disse Samantha. Teegan suspirou, novamente fazendo que sim com a ca­beça. Gene parecia prestes a explodir. Eu o conhecia su­ficientemente bem para saber que não falar não era um de seus talentos.

“O quê?” perguntou Teegan, resignada.

“Bom,” disse Gene vagarosamente, “é que eu estava pen­sando. Você disse que funciona para grandes necessida­des e… bom… eu estava pensando que talvez… com o exame final do Prichard chegando…” Samantha ganiu, virou e esmurrou o ombro dele. Por sorte Teegan come­çou a rir. Gene tinha mau gosto, mas mudou nosso hu­mor. Era até mais engraçado saber que ele falava sério.

Teegan, com bondade, aniquilou os pensamentos trapa­ceiros do Gene. As perguntas adquiriram mais leveza e Teegan logo soube que estava tudo bem entre ela e seus amigos. Eu fiquei bastante aliviada. Era extremamente cansativo tentar convencê-la de que ela era tão humana quanto todos nós. Agora eu tinha mais dois, não, três com Caleb, dispostos a me auxiliar na tarefa.

***

Grace McGuire ficou muda quando Teegan agarrou sua mão. Ela estava quase histérica por não conseguir acor­dar o filho. Jack McGuire estendeu a mão para separar os dois, mas se deteve quando a ligação o alcançou tam­bém.

“Você o ama,” disse Grace com mansidão. Teegan assen­tiu e soltou sua mão. Jack recolheu a dele um instante depois. Na seqüência veio uma outra conversa confusa sobre a natureza da ligação e o que o filho deles tinha feito. Jack se orgulhava e Grace se assustava enquanto faziam perguntas e nós respondíamos do melhor jeito possível sem entregar muito. Teegan estava mais relaxa­da agora, depois da prática adquirida com Samantha e Gene.

“Eu não sabia se gostava de você,” disse Grace para Tee­gan depois de compreender, “você o transformou, e eu queria de volta o velho Caleb.”

“Desculpe,” disse Teegan. Cheguei mais perto dela, já que ela parecia precisar do meu apoio. Estava começan­do a achar que ter chamado Grace fora um engano.

“Não,” disse Grace, balançando a cabeça, “era só egoís­mo. Agora eu percebo. Ele não é mais um garotinho.” Ela olhou para mim. “É duro quando eles crescem.” Sor­ri e assenti concordando.

“Ele arrebentou mesmo aquele cara?” perguntou Jack pela terceira vez. O orgulho era evidente em seu olhar. Os homens tinham algum tipo de complexo de herói, uma necessidade de proteger de maneira violenta.

“Três caras,” se intrometeu Gene. “Tentei apoiar na reta­guarda, mas não consegui nem acompanhá-lo.” Jack mediu Gene, alto e atlético. “Pra mim ele é um herói.” Jack sorriu e partilhou um olhar com Sam. Os três pare­ciam trocar testosterona em segredo. Eu suspirei e, pela primeira vez, Grace deu uma risadinha. Era tarde, mas eu convidei todos para o andar de baixo; assim Caleb po­dia dormir em paz. Preparei um pouco de chá, três mu­lheres na cozinha e os homens na sala de estar. Gene e Samantha foram para casa, prometendo voltar nova­mente pela manhã. Achei que era melhor não hostilizar também os pais deles.

“Ele vai ficar bem?” perguntou Grace novamente.

“Sim,” respondi pela quarta vez, “eu já estive na mesma situação. É o preço.”

“Desculpe,” disse Teegan apreensiva. Grace sorriu para ela.

“Acho que devo ser grata por ele não tentar salvá-la de­sarmado,” disse Grace. “Ele gosta de você há bastante tempo; anos, eu acho.”

“Nós mal nos conhecíamos antes do show,” disse Tee­gan, surpresa.

“Ele conhecia você,” disse Grace. “Estava tentando arru­mar coragem. Ele provavelmente não achava que estava à sua altura.”

“Eu achava o mesmo,” disse Teegan sorrindo. “Quer di­zer, eu pensava estar abaixo dele com o MIT e a bolsa de estudos.” Desta vez foi Grace que pareceu surpresa.

“Ele disse que não vai,” disse Grace. “Achei que você o ti­nha convencido.”

“Ele vai atrás da música dele?” perguntou Teegan.

“É o que ele diz,” respondeu Grace. “Honestamente: não é bem o que Jack e eu tínhamos em mente.”

“Tenho de concordar,” eu disse olhando para Teegan. Caleb arriscava todo o seu futuro. E arriscava talvez o fu­turo de Teegan.

“Mas ele toca tão bonito!” disse Teegan animada. “Vocês tinham que vê-lo naquele palco.”

“Bom, ele tem 18,” disse Grace, “e não posso mais obrigá-lo a fazer o que eu quero. Não significa que eu te­nho que gostar de suas escolhas.”

“Você ainda controla a carteira,” falei. A chaleira come­çou a assobiar. Tirei-a do fogão e tirei algumas xícaras do armário.

“Mas ele adora a música dele,” disse Teegan.

“Não quero repudiá-lo,” disse Grace. “Ele ficou meio tei­moso, e ameaças financeiras colocariam uma muralha entre nós.” Fiz que sim com a cabeça, e depositei saqui­nhos de chá nas três xícaras. “Além do mais, de qualquer modo eu não conseguiria cumpri-las.” Filhos não faziam idéia do que enfrentavam os pais para convencê-los a se­guir pela estrada certa. Caleb planejava jogar fora um grande dom para perseguir um sonho arriscado. Era um risco meu também, já que agora envolvia Teegan.

“É duro assistir enquanto tomam decisões ruins,” falei colocando água nas xícaras. Grace assentiu e segurou o papel na ponta da cordinha enquanto eu despejava, evi­tando que afundasse na água.

“E se for a escolha certa?” perguntou Teegan. Ambas, Grace e eu, olhamos para ela. Seu olhar estava ilumina­do de sonhos que eu tinha certeza que seriam lançados às rochas. Invejei os sonhos dela: nenhum dinheiro en­trava na equação. “E se ele não fez sozinho? Nem todo mundo precisa ser rico e miserável.”

“Riqueza e miséria geralmente não andam juntas,” disse Grace, e caímos na risada. Meu riso acabou quando Tee­gan saiu irritada. Eu estava tão ocupada me preocupan­do com o futuro que esqueci o quanto ela investiu hoje na felicidade de Caleb. Grace me olhou compreensiva. Senti Teegan me desligar e depois religar rapidamente, várias vezes em seqüência. Num dos “ligados” eu man­dei-lhe o meu amor embrulhado em desculpas. Eu preci­sava parar de pensar como mãe às vezes. Tinha esqueci­do como era finalmente encontrar alguém. Pelo Sam eu larguei uma carreira de sucesso numa grande empresa, e aquilo foi tão arriscado quanto, se não mais.

“Tinha esquecido como era,” contei a Grace. “Eles estão cheios de sonhos, e não devíamos esmagá-los com o nos­so senso de realidade.”

“É assustador,” disse Grace enquanto eu empurrava o açucareiro na direção dela. Ela abriu o vidro e mergu­lhou uma colher. “Seria bom se eu pudesse viver tudo por eles. Pular os erros inevitáveis e tornar tudo perfei­to.”

“Provavelmente acabaríamos cometendo erros piores,” falei com um sorriso. Grace deu uma risadinha, dissol­vendo o açúcar no chá. Teegan voltou alguns instantes depois, tendo aceitado minhas desculpas e enviado as próprias. A conexão tinha seus benefícios: as brigas ter­minavam rápido.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s