Poema do Intervalo Perfeito

Mal voltou a pasta no lugar,
Próxima pôs-se logo a buscar.
Súbito o som de porta fechada
A fez despertar sobressaltada.
Saiu do arquivo a dizer “olá”.
Que espanto ao ver quem estava lá,
De olhar viril, sensual e malvado,
Justo o seu pensamento encarnado.

Vários dias de idéia obscena
De volta à mente naquela cena!
Que ao “oi” do moço ela enrubesceu,
Não escapou ao amigo seu.
Sorriso então lhe abriu o rapaz;
De serena resposta incapaz,
Na pia ela lavou a poeira,
Tapando volúpia traiçoeira.

O esforço para se recompor
Mais denunciava nela o ardor.
“Pensando em ti, de vir fiz questão”
Fez ele em tom de provocação.
Encarou-o contendo o rubor,
Subiu no balcão do provador,
Agradeceu em palavras certas,
Pernas pendentes e entreabertas.

Intrépida pela excitação,
Queria vê-lo logo em ação.
Avançou o moço lentamente,
Joelhos e coxas quase rentes.
Olhos, seios, pernas contemplou
Enquanto em termos gentis falou.
Por dedo leve o braço corrido
Foi para ela dique rompido.

Na camisa se viu turgidez,
Sob a calcinha orvalho se fez,
Sempre igual desde encontro primeiro:
Nunca ficava sem tê-lo inteiro.

“Sentiste minha falta?” Ele riu.
“Que achas?” E pernas ela abriu.
Partida aceita, sombra nos olhos,
Metida a mão por dentro dos folhos,
Morna e úmida ele a notou,
Segredo ao ouvido lhe soprou.
Um dedo e uma língua conspiraram
E por dupla via a emocionaram.

Entre arquejos a jovem amada
Deu-lhe o pescoço pra ser beijada.
Bicos eriçados no amplo peito,
Contorções e cabelo desfeito,
Tudo aumentava em profundidade,
Ânsia violenta de intimidade.
O estorvo arrancando num puxão,
Ajoelhou o moço pronto ao chão.

Massagem delicada ele fez,
Desfrutando um gemido por vez.
De médico brincou impudente,
Torturando a amiga lentamente.

Beijou-a de onde o ardor vem,
Pondo em curso o que não se contém,
Sentindo-a rebolar no martírio,
Até precipitar-se em delírio.

Breve pausa pra respiração,
Olhos vidrados pela emoção.
Mas, felina, deu bote certeiro,
Atirou longe o hábil gaiteiro.
Com pressa e sem jeito o desnudou,
E em seus dotes voraz mergulhou,
Deixando o amado por um triz,
Não fosse o afastá-la dos quadris.

Num ímpeto virou-a de costas,
Tal cadela co’as partes expostas.
Túnica dócil por longo cio,
Fosforescente pelo rocio,
No compasso de mil movimentos,
Cumulou-o de doces tormentos.

O ventre dela foi testemunha
De quanto amor o moço lhe punha.
Naquele intervalo em meio às pernas
‘Stavam perfeitas glórias eternas.

Um beijo gentil e demorado
Adeus de casal apaixonado
Um cigarro ela acendeu, refeita.
E voltou às pastas, satisfeita.

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