Aposta Indecente

Sete irmãos cortejavam a menina,
Todos fortes, educados e belos.
Pedro e Evandro domavam cavalos,
De Marcos e João arar era a sina.

Leandro e Luiz cuidavam da venda,
E o Benedito, mais velho e jeitoso,
Logo arrumava, com afã religioso,
Os engenhos quebrados da fazenda.

Todos os sete a jovem acendia,
De nenhum apagava a chama ardente.
Desfrutava os dias, inconseqüente,
Por um dos irmãos não se decidia.

Até que uma avó lhe pediu prudência;
Karina então resolveu se casar;
Conduziu o mais velho para o altar
E aos outros só recomendou paciência.

Juntos os dois na virtude do lar,
Logo fizeram aposta salaz:
Ela jurou de agüentar ser capaz
Mil botes do moço, sem transbordar.

Mas o marido, muito habilidoso,
Soube levar sua esposa à loucura.
Fazendo os movimentos com doçura,
Precipitou a teimosa no gozo.

Sorrindo enquanto ela se contorcia
E, cega de prazer, perdia a aposta,
Ele antevia o que homem mais gosta:
Sua mulher aos sete se entregaria.

Quando, depois, à mesa já reunidos,
Os seis irmãos ouviram do casal
Sobre o tão surpreendente bacanal
Até de comer ficaram esquecidos.

Chegada a noite do acordo cumprir,
Karina pôs seu vestido mais belo;
De gesto abrasado por tanto anelo,
Mostrou aos cunhados o bom porvir.

Na cama acesa com três lamparinas,
A linda moça os homens esperava.
E em cada um que o seu olhar pousava
Se destacavam mil ânsias ferinas.

Foi Pedro então quem tomou a dianteira:
Correu a mão pela figura bela
E, sem timidez nem grande cautela,
Deu com um beijo início à brincadeira.

O beijo causou a pronta reação:
Com hábil aceno de mão capaz
Ela pôs à luz os dons do rapaz,
E neles mergulhou de coração.

O cenário inspirou segundo irmão:
Erguendo Evandro a barra do vestido,
Pelas coxas escalou, atrevido,
Expondo a flor ao toque do varão.

Aberta a túnica, gemeu Karina,
Deixando terceiro irmão assanhado:
Chegou Marcos ao decote abotoado
E sorveu os brancos seios de menina.

Evandro, bem dotado, se aninhou
Gentil e lento no ventre da puta.
Ela fungou como quem desfruta
E maior diversão não desprezou.

Alcançando Marcos, torto nascido,
Sorrindo o dispôs para a santa obra.
E nunca deixando Pedro de sobra,
Soltou para Evandro um longo gemido.

Instado pelos dotes da malvada,
Evandro, domado, enfim sucumbiu,
E o irmão, que estava já por um fio,
Tomou seu lugar na tarefa azada.

Foi a hora de João se aproximar,
Pois logo Pedro transtornou Karina.
Tantos beijos ganhou a colombina
Que, num berro, deixou-se transbordar.

Macho e fêmea juntos se descobriram
Num efêmero céu particular.
Na insaciável fúria de se dar
Marcos e o quinto irmão a socorreram.

Na emoção Karina o torto abrigou,
E Leandro, com o olhar fumegante,
Foi semi-despido acudir à amante,
Que abrindo as canelas o sancionou.

Por mais abalo que a orgia causasse,
A moça lembrou de contentar João.
E das três vias veio a indecisão
Escolher a melhor era um impasse.

Com leve tremor e um sutil rosnado,
Marcos deixou a garota em alerta.
Também Leandro a atiçava na certa
Pois fogo novo sentiu ter chegado.

Na euforia da suruba cortês
Não resistiu o mercante entre as pernas,
E se afastando com pagas eternas
Fez Marcos feliz por chegar sua vez.

Fitando de frente o torto rapaz,
Karina, que urgia por essa tortura,
Dos lábios de João sugando a doçura,
Fez da agonia momento de paz.

Mas da menina o grito acobertado
Fez avançar o Luiz nu e pronto;
Fez Marcos dar adeus ao bom confronto,
Dando a Deus graças por saudável fado.

Esquecida breve tempo em João,
Quis a moça o seu beijo premiar:
Em duplo vaso pôs-se a agasalhar
Os dois varões com grácil aptidão.

Mesmo arfando com o amor recebido,
Dois fatos João não deixou passar:
Luiz se preparava pra se entregar,
E a bela anunciava novo alarido.

Um ronco surdo elevou-se no ar:
Era Luiz em sua pequena morte.
João trocou a boca por melhor sorte,
E em tesouro sem par foi se acabar.

Benedito, que a tudo assistia,
E já quase morria de desejo,
Chegou mais perto aproveitando o ensejo,
Tomando as mãos que Karina estendia.

Inédita foi a cena final;
Quadris, mãos e lábios entrelaçados,
Milhares de frêmitos encantados:
Então se viu o autêntico casal.

Jovem Karina, tão bela e indecente,
De lábios de mel e indizível cono
Saneia a dúvida antes do sono:
Virá esse teu filho de qual semente?

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