O Casamento: Capítulo 01

Eu adorava como aqueles seios recobriam seu peito. Passei o dedo por baixo de um deles, vendo a carne macia ceder e se recuperar com vigor. Continuei pelo outro, notando-lhe o sorriso com o canto do olho. Olhei para os seus cachos castanhos, desarrumados e espalhados sobre o travesseiro. Seu olhar mirava o meu, o amor suave substituindo a paixão ardente de apenas instantes atrás. Seu sorriso se abriu e as covinhas surgiram na sua face. A luz fraca das brasas que se apagavam na lareira lhe dava uma serenidade que aumentava enormemente a minha ternura. Eram momentos assim que eu prezava: com os nossos desejos saciados, tudo o que restava era uma coberta de amor.

“Vou sentir falta disto, meu Senhor,” sussurrou Alia. Me joguei no meu travesseiro, o clima quebrado por pensamentos que podiam muito bem desaparecer. Ela se apoiou no cotovelo, agora sem o sorriso. “Você precisa me mandar embora.”

“Não tenho vontade de pensar nisto,” respondi. O dever exigia que eu o fizesse; o meu coração exigia que não. Olhei de novo para o rosto angelical de Alia. Seu olhar abandonado, seus lábios úmidos tão convidativos… Uma comédia de dor e prazer, o berço do meu desejo. “Acharei um modo.” Sua mão deslizou pelo meu peito, acendendo a minha alma e implorando que eu ignorasse a minha linhagem. Era impensável uma vida sem ela.

“Não há outro modo, meu Senhor,” insistiu Alia. Eu odiava o honorífico em seus lábios. Ela era unida à minha vida, e não a camareira que fingia ser durante o dia.

“Pode me chamar de Cayden apenas esta noite?” Eu sabia a resposta de Alia antes de abrir a boca. Era um pedido inútil. Ela nunca arriscaria a prática. Um deslize inadvertido da língua fora dos meus aposentos ia causar demasiados conflitos. Ela se inclinou para mim, seus lábios tocando os meus. Lábios que podiam sossegar qualquer inquietação. Como é que eu podia mandá-la embora? Deus! Tenho de achar um jeito.

“Não, meu Senhor, não posso.” Primeiro, para atenuar a recusa, Alia tinha me beijado. Eu podia colocá-la na prisão por desobedecer o príncipe-herdeiro. Flertei com a idéia, ela acorrentada aguardando o prazer meu. Passou num instante. Puxei-a para cima de mim, as nossas línguas se juntaram e a paixão ressurgiu. “Meu Senhor ainda não acabou comigo,” gracejou ela, esticando a mão até o meio das minhas pernas para renovar o meu fogo com carícias.

“Não vou acabar nunca,” disse eu com firmeza. Não sabia se Alia compreendia o meu amor ou a minha convicção. Estava sempre preocupado se ela se considerava o meu brinquedo, só um casinho amoroso até que alguma coisa melhor aparecesse. “Você é o meu coração, o meu amor.”

Eu sorri, recordando as minhas tentativas desastradas de seduzi-la há muitos e muitos anos atrás. Eu tinha me deitado à noite, insone e incapaz de pensar em mais nada. Os planos tolos que eu tinha inventado para garantir me encontrar sozinho com ela… suas constantes rejeições e a noite em que ela finalmente se submeteu… eu lhe entreguei o meu coração naquela noite, para nunca mais tê-lo de volta. Eu não queria ninguém mais. Os meus direitos de nascimento, entretanto, exigiam outra.

Alia levantou os quadris e me guiou para dentro dela. O calor do paraíso me tragou, forçando o ar para fora do meu peito. Ela se acomodou em meus quadris e os seus olhos lacrimejaram. Eu via o amor impresso em seu rosto, nas lágrimas. Estiquei a mão e delicadamente limpei a lágrima que ameaçava descer pela sua face. Ela desmoronou em cima de mim, enterrando a cabeça em meu ombro para esconder mais lágrimas. Passei os meus braços ao redor dela e senti os tremores durante a sua respiração.

“Amo você também, Cayden,” sussurrou Alia. Meus olhos ficaram marejados com o nome que eu achava que ela nunca pronunciaria. Daí eu soube que ela acreditava ser esta a última vez em que nos abraçaríamos. Roguei para que não fosse. Ficamos acoplados, lamentando pelo que estava prestes a mudar. Eu não podia prometer que não mudaria, a minha vida não totalmente minha. Beijei a sua orelha, depois o seu pescoço, e fizemos amor lentamente, esperando para além de toda a esperança que não fosse o fim, mas sabendo que poderia ser. Eu tinha de achar um jeito.

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